Dia 8 de maio, Domingo das mães, desde a noite anterior,eu tava meio mal com uma nova crise de bronquite, fui obrigado pela minha mãe, a ir ver um medico, por coincidência, minha tia pegou uma puta caxumba, e fomos todos nos ao cais do Cadida de morais, a realidade desses lugares a maioria de vocês deve conhecer, por tanto, não vou falar disso, quero relatar uma experiência vivida por mim, minha tia, e minha mãe naquele dia.
Mas antes que o clima fique pesado demais, tenho uma boa noticia, o parque multirama vai se tornar o maior parque publico do Brasil.
A reconstrução do Parque Mutirama conta com investimentos de R$ 55,6 milhões, sendo 45,2 milhões do Ministério do Turismo (MTur), por meio do Prodetur Nacional e o restante do tesouro municipal.
Depois dessa bela noticia começo a contar a historia de uma mãe e uma filha.
Ao chegar no cais, percebi uma mulher chorando e aparentando um certo descontrole, não me interessei muito em saber por que, estava em um ambiente em que as vezes, pode acontecer esse tipo de coisa, absolutamente normal, ninguém fica controlado quando alguém que gosta tá passando muito mal, ou está prestes a morrer, por tanto não deimuita importância, mas logo percebi que a mulher de que falo não estava só descontrolada, era coisa maior que descontrole, e comecei a prestar atenção, ela falava no celular com alguém e dizia “a mariaritata tendo convulçao...”
Essa foi a parte que eu ouvi, não ouvi muito, mas o suficiente, julguei que aquela mulher deveria ser a mãe dessa tal Maria Rita, pela idade da mãe julguei também que a menina deveria ter uns 10 talvez 12 anos de idade, e que com certezatava muito mal.
Depois de alguns minutos, entrei para a sala onde ia esperar a medica me chamar pra ser atendido, essa mulher que estava com a filha doente tava lá. Doía olhar o desespero dela, andava de um lado para outro dizendo coisas sem muito nexo, invocando o nome de deus, e as vezes parecia rezar bem baixo, sentava no banco por uns dez segundos, e depois se levantava de novo pra novamente andar sem rumo, por pura agonia, chorando muito.
Entrei pra ser atendido, e me chamou atenção que a medica olhava pra fora algumas vezes, e quando viu a mãe dessa menina passar mais uma vez pela porta do consultório que se manteve aberta o tempo todo, ela disse:
“Com criança é sempre mais difícil.”
Percebi que ela falava da mesma criança,cujamãe,tava louquinha da vida lá fora, ai perguntei.
"O que a filha dela tem?"
"Crises convulsivas, uma atrás da outra."
Insatisfeito com a resposta, indaguei novamente à medica.
"Mas ela tá muito mal?"
A resposta foi tão seca quanto curta.
"Tá!"
Ela falou meio revoltada sobre uma ambulância que levaria a menina em um lugar que tenha UTI (unidade de tratamento intensivo), que depois descobri que era no materno infantil, mas se retratou dizendo que a menina estava em boas mãos, que tinha médicos o tempo todo do lado dela e que a demora dessa ambulância não ia levar a nada não.
Novamente, não me satisfiz com o que a medica me falou, ela com certeza não queria se comprometer e acabou se enrolando, estava visivelmente revoltada e se contradisse.
Não vou dizer em que setor eu estava quando me disseram o que eu vou falar agora, mas em dado lugar, uma pessoa que trabalha nesse cais me disse, que quando a menina chegou lá, o cais parou por trinta minutos, toda a equipe foi mobilizada pra salvar a menina, mas não tinham estrutura suficientepara atendê-la adequadamente, logo precisaram de uma ambulância para levar a menina para um lugar mais adequado estavam Naquele momento, esperandoa 2 horas pela bendita ambulância.
Eu perguntei se a demora poderia matar a menina, e novamente uma resposta tão seca quanto curta.
"Pode."
E depois de um momento ela completou:
"tem horas que da vontade de sair distribuindo porrada nesse povo pra ver se alguém faz alguma coisa, pra ver se alguém se meche."
Quando ela terminou meu atendimento, me disse pra eu não falar nada do que havia ouvido pra o pessoal no hospital, por isso não digo quem era essa pessoa, mas ficou claro para mim nesse dia, que gente morre por desinteresse na saúde publica, é mais fácil mais rentável e mais indecentedesviar dinheiro, que comprar ambulânciasnovas com capacidade de atender MariaRita, é mais fácil deixar MariaRita morrer do que fazer alguma coisa, é mais lucrativo deixar MariaRita a mingua, tratar MariaRita da muito trabalho e custa muito caro, e quando digo MariaRita, falo não só dessa criança que estava doente no cais, falo de muitas pessoas que necessitam muito do serviço de saúde, queObama em sua visita ao Brasil,tanto se interessou, o SUS (sistema único de saúde) que é excelente no papel, mas nunca funcionou desde que foi implantado.
Mas ainda não tinha visto Maria Rita até a ambulância chegar, MariaRita que até entãojulgava ter 10 ou12 anos, com certeza não tinha mais que 2, ela passou muito rápido com a mãe do lado chorando de desespero, a menina estava entubada e com sondas no braço para soro e outros remédios,e usando fraudadescartável, uns três médicos com ela e a mãe, que a essa altura já tinha passado mal algumas vezes, e seguia agora para um lugar onde a filha dela ia ser adequadamente tratada, não sei até agora se ela está bem ou não, não sei o desfecho dessa historia, mas rezo por Maria Rita.
Mas o fato, é que o multirama vai ficar lindo, grade, e vai com certeza render muitos e muitos votos, mas MariaRita ainda vai precisar de ambulâncias novas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário